“DE SILÊNCIO EM SILÊNCIO, DE ESPANTO AO ESPANTO DA CONSCIÊNCIA” A PRÁXIS EDUCATIVA-CULTURAL NA EJA-EPT (PROEJA) EM GOIÁS

Publicado em - ISBN: 978-65-272-2125-8

DOI
10.29327/9786527221258.1252170  
Título do Trabalho
“DE SILÊNCIO EM SILÊNCIO, DE ESPANTO AO ESPANTO DA CONSCIÊNCIA” A PRÁXIS EDUCATIVA-CULTURAL NA EJA-EPT (PROEJA) EM GOIÁS
Autores
  • Heliane Braga Coelho
  • MARIA Clarisse Vieira
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO COMUNICAÇÃO ORAL
Área temática
GESTÃO E CURRÍCULO INTEGRADO NA EJA-EPT (PROEJA) Avaliadores:
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://eventos.ifsc.edu.br/anais/viii-encontro-proeja-rede-federal/1252170-de-silencio-em-silencio-de-espanto-ao-espanto-da-consciencia--a-praxis-educativa-cultural-na-eja-ept-(proeja)
ISBN
978-65-272-2125-8
Palavras-Chave
EJA-EPT (Proeja), práxis, hegemonia.
Resumo
Introdução: Este estudo vincula-se à pesquisa de doutorado em andamento sobre a Educação de Jovens e Adultos integrada a Educação Profissional (EJA-EPT/PROEJA) ofertada no Instituto Federal de Goiás (IFG) e os possíveis movimentos de nova hegemonia constituídos nos 14 (quatorze) campi dessa federação. O presente esforço investigativo parte do pressuposto que os autores (Gramsci, 2013; Freire, 2014; Brandão, 1984) são referências importantes para pensar os rumos dessa modalidade na formação dos grupos subalternos na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT), especificamente no IFG, e o caráter político da pesquisa para o processo de democratização do conhecimento. Fundamentação teórica: Fundamenta-se no método do materialismo histórico dialético (Marx, 1984) de caráter bibliográfico e documental (Minayo, 2008) seguido da análise de discurso (Bakhtin, 1997) a partir do diálogo com os sujeitos educadores e educandos envolvidos na práxis educativa, destacando a filosofia da práxis (Gramsci, 2013) os inéditos-viáveis (Freire, 2014) e a educação popular (Brandão, 1984) para um projeto de formação integral e politécnica que contemple a dialética escola-trabalho, a indissociabilidade teoria e prática, e ensino como práxis emancipatória. A experiência desses três autores nos movimentos e lutas populares na defesa do direito à educação se interconecta com a pesquisa no seu campo ético-político-pedagógico-epistemológico: ressoar as vozes de uma multidão de invisíveis sociais, portadores de saberes de experiências-feitos (Freire, 2014), mas que ainda não tiveram acesso ao patrimônio cultural acumulado historicamente e seguem sobrevivendo em condições de subalternidade e injustiça social. Objetivos e Metodologia: Diante das estratégias político-econômicas que culminam no desmonte estrutural da modalidade nessa Rede, a pesquisa busca exercer o papel analítico da realidade e das lutas históricas da classe trabalhadora que estuda, abrindo caminhos para possíveis rupturas no pensamento hegemônico burguês que tensiona a gênese, os princípios e as finalidades da EJA-EPT (PROEJA). A partir da pesquisa bibliográfica no recorte temporal 2020-2024, análise documental das propostas pedagógicas dos cursos ofertados no âmbito do Instituto Federal de Goiás (IFG) e diálogo com os sujeitos (educadores e educandos) procura analisar os movimentos de contra-hegemonia na defesa da educação integrada, presencial, como direito inalienável; e, a partir da análise de discurso, compreender como são constituídos os enunciados e as comunicações discursivas, e se esses refletem a dimensão pedagógica, histórica e política que visa a emancipação dos grupos subalternos. Discussão e resultados: Em 2023, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - A PNAD Contínua/Educação, constatou-se que o nível de instrução dos brasileiros ainda é uma problemática a ser enfrentada. Das pessoas com 18 anos ou mais de idade, cerca de 68 milhões (46,80%) não concluíram a etapa educacional do ensino médio. Na rede federal, conforme a Plataforma Nilo Peçanha (PNP), o percentual de oferta de EJA-EPT (PROEJA) oscilou de 2,38%, em 2018, para 2,22%, em 2023, pois apenas 45% dos campi dos IFs disponibilizaram vagas para cursos dessa modalidade, mantendo-se historicamente bastante distante da meta definida pelo Decreto n. 5.840/2006 (Brasil, 2006), que determina que as Instituições Federais de Educação Profissional devem reservar, no mínimo, 10% do total das vagas de ingresso, sedimentando um território cada vez mais árido para a classe trabalhadora no conjunto da existência. Para Amorim (2019) apesar das tensões e conflitos que germinam nessa Rede é possível observar um novo tipo de intelectualidade orgânico-democrática nas diversas denúncias: a) do elitismo cristalizado num modelo político-pedagógico conservador; b) da falta de vontade política da gestão de atuar na institucionalização dessa modalidade; c) da falta de vontade docente de se aproximar, dialogar e construir práticas pedagógicas com esses sujeitos; d) dos processos de exclusão e culpabilização dos educandos e educandas; e) da negação do direito à educação pública de qualidade, dentre outros. Ainda, segundo esse autor, essa realidade é a “aparência de um fenômeno mais amplo, cujas raízes se fincam nas estruturas formais da sociedade capitalista, mas, os galhos, nas suas superestruturas, que legitimam as assimetrias sociais” (Amorim, 2019, p.248). Entretanto, nesse campo de contradições, resiste no decorrer da história uma intelectualidade conservadora, hegemônica, que persiste em naturalizar e justificar as desigualdades no âmbito dessa Rede, sobretudo, seus processos de exclusão e negação de direitos. Considerando que os movimentos de defesa e consolidação da modalidade EJA-EPT (PROEJA) na Rede Federal apresentam diversas frentes e seus atores políticos assumem posições no interior das instituições é possível mencionar como movimentos contra-hegemônicos: 1. A insurgência do Coletivo Nacional da EJA-EPT da Rede Federal (ConEJA-EPT) que visa ampliar a participação e fortalecer a luta de educadoras/es, educandas/os, pesquisadoras/es e militantes pela constituição de políticas públicas que garantam, ao mesmo tempo, a consolidação e a expansão da EJA integrada à EPT, especialmente na forma de Ensino Médio Técnico Integrado na modalidade EJA. 2. A realização da 8ª edição do Encontro Nacional da EJA-EPT (PROEJA) da Rede Federal. Configura-se espaço de troca de experiências e socialização das pesquisas que estão sendo realizadas na Rede. 3. A atuação de representantes nos Fóruns Estaduais de EJA e Fórum Nacional de EJA que articulados atuam na defesa do direito à educação à população jovem, adulta e idosa. Compõem, esses fóruns, movimentos sociais e instituições públicas e privadas. 4. A instituição de um GT Ampliado para elaboração das diretrizes indutoras para a EJA-EPT (PROEJA) na Rede, tendo como elementos mobilizadores as lutas e as disputas históricas em relação à educação e a essa modalidade. O documento foi aprovado, em dezembro de 2024, pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e Fórum de Dirigentes de Ensino (CONIF, 2024). Recomenda-se que a aprovação das diretrizes internas em cada instituição ocorra em até dois anos. Dessa maneira, trata-se de uma pesquisa social qualitativa que visa demonstrar os silenciamentos e contradições no campo da EJA-EPT (PROEJA), de modo a fortalecer o debate acadêmico-teórico na área, identificar novos temas a serem investigados e contribuir com a implementação de propostas pedagógicas de cursos que mais se aproximem da politecnia e da omnilateralidade, a partir da interlocução com três importantes autores que estiveram intimamente entrelaçados com a educação, a política e a cultura popular, e forjaram, na sua práxis educativa e revolucionária, conceitos, princípios didáticos e concepções que constituíram uma epistemologia voltada para a emancipação dos grupos subalternos. Esses ideais de educação reacendem debates e linhas de um projeto educativo contra-hegemônico que fundamenta a epistemologia da práxis (Curado Silva, 2019). Essa teoria do conhecimento compreende a pesquisa como princípio pedagógico e o trabalho docente no seu sentido ontológico e educativo, oferece elementos para uma formação que tem como centralidade a prática social dos sujeitos históricos e a compreensão da realidade concreta, e reconhece o trabalho docente no viés revolucionário que conduz a um sentido coletivo e político da emancipação humana. Também fornece elementos teóricos para análise dos reais interesses da sociedade política e da sociedade civil na elaboração das políticas educacionais de formação de professores e de formação profissional de jovens e adultos, além de evidenciar o compromisso ético-político de cada professor como intelectual orgânico coletivo para a consolidação de uma nova hegemonia. Algumas considerações: Tendo como cenário a luta política na defesa dos direitos dos trabalhadores a uma educação construtora de uma nova forma de sociabilidade contra e para além do capital na forma presencial na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT), esse mirar no horizonte revolucionário da educação retoma a atualidade dos escritos de Gramsci, especificamente os conceitos de filosofia da práxis, intelectuais orgânicos e hegemonia. Assim como a educação popular, de Brandão, e os inéditos-viáveis, de Freire, que defendem a formação do novo homem numa nova visão ético-política-filosófica de mundo. Na síntese freireana, a educação é uma ação cultural na qual os educandos assumem o papel de sujeitos do processo de conhecimento em diálogo (comunicação) entre si mesmos e os educadores, transitando da consciência ingênua para a consciência crítica. E, enquanto classes populares, forjam na ação coletiva a consciência de classe e o seu processo de libertação. A educação possibilita aos sujeitos históricos a emergir da e voltar sobre a sua realidade, pensar em comunhão com os outros em novas conjecturas, em inéditos-viáveis para as antecipações de um mundo novo. Nessa tessitura, articulam-se as contribuições teórico-metodológicas de Brandão para pensar o terreno de disputa ao forjar no horizonte do trabalho pedagógico a formação e o fortalecimento das organizações de classe e dos movimentos populares. E, a partir da prática de instrumentalização e produção da organicidade dos saberes populares, produzir a consciência de classe. Gramsci dizia que toda ação lançada sobre a complexidade do mundo desperta ecos inesperados (Dorsi, 2022). Espera-se que essa pesquisa ecoe os gritos de denúncia das injustiças sociais e, ao mesmo tempo, de anúncio dos ideais históricos pelo direito à educação e o florescer da hegemonia dos grupos subalternos. É nesse mirar que o conhecimento torna-se práxis e engendra profundas mudanças na história da EJA-EPT (PROEJA).
Título do Evento
VIII Encontro Nacional da EJA-EPT (PROEJA) da Rede Federal de Educação
Cidade do Evento
Florianópolis
Título dos Anais do Evento
Anais VIII Encontro Nacional da EJA-EPT (Proeja) da Rede Federal: formação de jovens e adultos trabalhadores
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

COELHO, Heliane Braga; VIEIRA, MARIA Clarisse. “DE SILÊNCIO EM SILÊNCIO, DE ESPANTO AO ESPANTO DA CONSCIÊNCIA” A PRÁXIS EDUCATIVA-CULTURAL NA EJA-EPT (PROEJA) EM GOIÁS.. In: Anais VIII Encontro Nacional da EJA-EPT (Proeja) da Rede Federal: formação de jovens e adultos trabalhadores. Anais...Florianópolis(SC) Instituto Federal de Santa Catarina, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/viii-encontro-proeja-rede-federal/1252170-DE-SILENCIO-EM-SILENCIO-DE-ESPANTO-AO-ESPANTO-DA-CONSCIENCIA--A-PRAXIS-EDUCATIVA-CULTURAL-NA-EJA-EPT-(PROEJA). Acesso em: 03/06/2026

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