As últimas gerações de tecnologias e redes digitais ampliaram as formas de conectividade entre pessoas, computadores e dispositivos móveis (Web 2.0), estendendo-se para as coisas (Internet das Coisas - IoT), a biodiversidade e os territórios (sensores, GIS, satélites e IoT). Isso gerou uma vasta rede de dados (Big Data), capaz de construir habitats inteiramente informatizados. A digitalização e a informatização de florestas, rios, oceanos e clima, além de proporcionar uma interação datificada com o meio ambiente, oferecem a possibilidade de monitorar em tempo real nosso impacto e medir continuamente suas transformações ao longo do tempo.
No entanto, mais do que isso, a introdução de sensores, Big Data e diversas tecnologias de interação não se limita a instrumentos de medição; elas se tornam parte do ambiente e agentes capazes, através do processamento automatizado de dados, de gerar processos inovadores e mais sustentáveis. A implementação de algoritmos para a prevenção de incêndios florestais e o uso de centenas de mini-robôs autônomos para limpar as superfícies dos corais e evitar seu adoecimento são apenas alguns exemplos que demonstram o poder das tecnologias digitais para alterar e transformar processos.
Nesse sentido, pensar na digitalização do ambiente significa superar o conceito de natural e artificial, abrindo-se a uma perspectiva metamórfica e inovadora que abrange não apenas os humanos, mas também as biodiversidades e os diversos tipos de superfícies. A hipercomplexidade e as características dessas transformações inviabilizam qualquer abordagem mono-disciplinar. Trata-se de uma ruptura de paradigma definitiva e irreversível. As principais questões da nossa época, como as mudanças climáticas e a inteligência "artificial", devido às suas complexidades e abrangências, podem ser melhor entendidas e estudadas por meio de abordagens inter e transdisciplinares.
O conceito de “cidadania digital” busca assinalar a emergência de novas formas de ação e participação, procurando ampliar as dimensões da política a uma perspectiva ecológica. Com isso, questiona os limites e significados do social humano e de seu caráter “comum”, apresentando uma crítica à concepção liberal e moderna de democracia. Assim, como tema de pesquisa, a “cidadania digital” versa sobre a transição das formas subjetivas e iluministas de interação e cidadania para as formas digitais, algorítmicas e infoecológicas de existência.
Diante deste contexto, o Congresso Internacional de Cidadania Digital chega a sua quinta edição com a temática principal "Digitalização do ambiente em perspectivas transdisciplinares" e busca refletir o momento atual dos processos de digitalização da vida. Além de inscrições de congressistas ouvintes, são aceitas submissões de trabalhos no formato de resumos expandidos (baixar modelo). Os congressistas autores com trabalhos aprovados deverão apresentá-los nos respectivos Grupos Temáticos. O congresso é totalmente online, com a conferência de abertura na noite do dia 3 de dezembro e programação intensa nos turnos da tarde e noite dos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2024. A programação inclui ainda mesas redondas e sessões orais de apresentações de trabalhos.
A Rede Internacional de Pesquisadores da Plataforma de Cidadania Digital (CIDIG) objetiva construir um espaço transdisciplinar e transinstitucional que seja capaz de refletir sobre o tema da cidadania digital com foco nas iniciativas de digitalização. Como defende o Manifesto da Cidadania Digital, assinado em 2020, “é necessário mudar nossa concepção do social e preparar-nos para habitar as infoecologias e as redes do mundo vindouro”.
O V Congresso Internacional de Cidadania Digital concentra-se sobre a discussão teórico-conceitual e a apresentação de casos de usos e aplicações de tecnologias digitais em seis grupos temáticos, conforme detalhado ao longo desta chamada.